Junto a uma das entradas para Alfama, um dos bairros mais típicos de Lisboa encontramos o Chafariz d’ El Rei. Apesar de quase poder passar despercebido tem, desde 2012, o estatuto de monumento nacional.
Conta a história que este terá sido o primeiro chafariz publico de Lisboa e um dos mais importantes, pois chegou a ter nove bicas em funcionamento, que abasteciam a cidade e as embarcações na época da expansão marítima (encontra se muito próximo do rio).
Chama de facto a atenção pela sua grandiosidade, e conta a historia, que devido á grande afluência de pessoas, foi palco de diversos desacatos e foi necessário criar regras para a sua utilização. Ficou nessa altura estipulado que cada bica ficaria destinada a uma classe social.
Construído no sec. XIII já sofreu muitas alterações, as primeiras depois do terremoto de 1755 e as ultimas já no séc. XIX. Hoje já não tem agua mas está ali pronto para ser admirado. Ainda podemos observar duas gravuras de caravelas que representam a cidade de lisboa.
O PALACETE

Foi outrora motivo de chacota. Chamavam lhe “o palhacete” e a câmara de lisboa pretendia demoli-lo, justificando que este extravagante e colorido chalet ofendia a estética da cidade. Isto há cem anos.
Contudo, o belo palacete sobreviveu á chacota popular e ás tentativas da autarquia. Sobreviveu também ao abandono. Hoje está transformado num belo hotel de charme e encontra se em processo de classificação como imóvel de interesse municipal.
Quando entramos pela travessa de São João encontramos uma porta fechada, aparentemente sóbria. Assim que entramos somos surpreendidos por uma mistura de estilos que nos deixa boquiabertos.

Devia ser mesmo esse o objetivo de João António Santos quando decidiu construí-lo em 1909. Tinha acabado de regressar do Brasil onde fez fortuna e quis fazer se notar. Encontramos então o estilo romântico, com alguns toques de arte nova e neoislâmico.

Tem seis suites decoradas com imponentes lustres do estilo rococó, sedas e brocados, sofás de veludo, tudo misturado com móveis contemporâneos.



Fiquei instalada na suite Sonya que além de enorme tinha todo o conforto de uma casa particular.

De igual modo, não podemos ficar indiferentes aos belos vitrais que nos oferecem uma luz multicolorida.

No pequeno almoço podemos apreciar interessantes louças floridas, existe um sino á moda antiga, diversas pratarias e guardanapos bordados. tudo isto numa sala palaciana em frente ao jardim com vista para o Tejo.



De realçar igualmente a simpatia dos funcionários que nos tratam como se fizéssemos “parte da casa”, oferecendo em simultâneo os mais requintados serviços.
Mais que uma estadia num hotel, é como uma viagem no tempo. Fiquei admirada com a existência de um lugar assim tao ilustre e tao simples.


Tudo isto no meio do bairro de alfama e com vista para o rio tejo.

As duas noites passadas neste palacete foram uma experiência única nas minhas histórias de viajante, por isso quis partilhar este segredo escondido em alfama com todxs vocês



